Dilúvio: destruição ou aliança?
A violência tem sido uma das maiores tragédias a acometer a humanidade desde a entrada do pecado no mundo. Ela revela todos os sentimentos obscuros escondidos no íntimo do coração humano.
A primeira família humana já sofreu suas terríveis consequências ao presenciar o assassinato traiçoeiro e cruel que Caim arquitetou contra seu próprio irmão Abel. E, por um motivo sem nenhuma sombra de justificativa. (Gênesis 4:3 - 8).
Os versos seguintes mostram Deus interpelando o assassino e proferindo um castigo que nós não compreendemos muito bem. Aliás, onde está Deus quando pessoas inocentes morrem e os homicidas parecem continuar impunes?
A violência revela hoje suas garras cruéis e fatais por todos os lugares. Nossas ruas estão cheias de sons de morte e nem mesmo as escolas (lugares que deveriam ser o berço da educação e da justiça) estão imunes à sua caçada traiçoeira.
Daí a velha conhecida pergunta vir rondar por nossas mentes cada vez que tomamos ciência dessas fatalidades: "onde está Deus quando tudo isso acontece?" Na verdade Ele tem estado no mesmo lugar desde sempre.
No início de Seu diálogo com Noé, Deus já revela a violência como motivo para a destruição iminente. Quando as densas nuvens da impiedade toldavam o céu antediluviano, o Sol da Justiça brilhava acima delas.
Deus ouvia o choro da criança sozinha e o soluço da mulher intimidada por seu opressor. Ele ouvia a oração da mãe pelo filho perdido na madrugada e fitava compreensivo o pai cheio de medo do credor indiferente.
Então Deus tem vontade de falar e encontra apenas um homem disposto a ouví-Lo: Noé, "homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos". (Gen. 6:9)
Penso que hoje, ao ver tanto ato cruel, Deus também observa inquieto e tem muita vontade de falar. Ele tem uma mensagem para este tempo. Estou eu disposta a ouví-Lo? Ouví-Lo de fato, com todas as implicações que isso me traria?
Deus traz uma mensagem simples de entender. Ele resolvera destruir todo ser vivente. O método pareceu bastante utópico, um dilúvio onde nem sequer chovera antes.
Mas era Deus que falava. Noé creu porque Noé O conhecia. Noé "andava com Deus". (Gen.6:9) Pareceu um fim definitivo, e de fato era. Deus trouxera uma borracha para apagar as linhas tortas, mas Ele trouxe também uma caneta nova para reescrever a história.
Me impressiona a fé que Deus tem no homem. Ele aposta nele mais uma vez. Propõe que se faça uma arca a fim de que alguém seja salvo do dilúvio. Ele dá um tempo de 120 anos para que todos ficassem sabendo do plano.
E agora Noé pega o plano de Deus e o transforma no plano da sua vida. Ele deixa de lado todos os seus projetos de uma vida inteira. Acorda bem mais cedo para trabalhar na arca, passa o dia suado por causa do calor e esforço insistente e vai dormir à noite pensando no trabalho da arca.
A incrível expedição da Arca por sobre as águas da terra foi um milagre, bem como foi um milagre todas as espécies de animais terem vindo a Noé para se abrigarem no tempo certo.
Quando saiu da Arca a família de Noé encontrou apenas desolação por toda parte. Tudo que era bonito antes havia desaparecido. Mas Deus, sempre presente, sempre amando, coloca um colorido naquele cenário cinzento. "Porei nas nuvens o Meu arco; será por sinal da aliança entre Mim e a Terra." (Gen.9:13)
Deus vai pôr um fim em toda violência, mas Ele nunca extermina as obras de Suas mãos. Ele é o Deus do recomeço, da nova chance, do surgir de um novo dia todas as manhãs...
Deus procura alguém pra conversar, pra estabelecer uma aliança de vida, pra cooperar com os planos do Eterno...
É você?
Photo Credits: Mateus Pabst

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